querer-querer

foto de dois mil e doze e as mesmas questões

eu sou viciada na ânsia de querer e conseguir. e não quero me livrar disso. sei que devia.
sentada no meu sofá em uma sala nova, uma sala que eu quis tanto, quis muito, eu penso qual a próxima coisa que eu vou querer.
já quis muito escrever – escrevi, publiquei. no serviço, eu chegava a sentir coceira porque lá se iam três anos olhando para as mesmas planilhas e respondendo aos mesmos clientes. são outras as planilhas agora, são outros os clientes.
eu quis: mudar de casa, escrever um livro, atualizar meu linkedin. eu consegui, eu consegui, eu consegui.
e respirei a satisfação por menos de um minuto antes de me estalar na cabeça: e agora o que?
entre meus neurônios, o espaço destinado para memórias televisivas e cultura pop é reduzido, coisa de menos de um giga. então é grande dizer que me lembro de dois homens chegando ao topo do everest pra dar três pulos de alegria. eu sou aqueles homens. eu sou o monte everest.
eu sou os mil e vinte quatro kbytes de memória.

a ânsia do próximo me consome


o barato de conseguir acaba e eu já não lembro porque escalei oito mil metros. os olhos ainda esbugalhados com a falta de ar e eu já quero mais, eu quero de novo, eu quero querer. apesar do tédio do pico.
minha terapeuta, a quem vou chamar de senhora d. (sim, eu sou boiolinha por hh, como descobriu?), me disse que não faz bem ser assim. ela falou o mesmo sobre o meu uso indiscriminado do estado de mania para produzir. a conta chega, ela disse, às vezes na forma de um avc. naquela época, eu gastava toda a minha energia em um tiro só, feito celular com a bateria viciada (aí a palavra com v de novo). e me desligava sem mais nem menos também. ela estava certa, é claro. e foi muito estranho ouvir o silêncio dentro da minha cabeça quando o remédinho novo desligou a tremedeira do meu sangue.
suponho que ela esteja certa sobre o querer-querer também.
nos últimos dias, tenho sentido um pouco da mesma tremeção de pólvora nas veias. tenho tempo, tenho comida, tenho uma cama com bons travesseiros. mas não consigo deitar e me enfiar numa história dessas que eu gosto – fantasia, espada, triângulo amoroso. a ânsia do próximo me consome.
eagoraeagoraeagora.
eu me pergunto enquanto monto minha nova escrivaninha na minha nova casa para trabalhar no meu novo emprego.
e agora.
???????

%d blogueiros gostam disto: